Bolívia reduz suprimento mínimo de gás canalizado para o Brasil

(Lucien Chauvin, da Argus Media group). A Bolívia tomou outro golpe em seu setor de gás natural ao concordar com uma redução no volume mínimo estabelecido por contrato nas exportações de gás canalizado para o Brasil.

A estatal boliviana YPFB anunciou ter aceitado um pedido da Petrobras para baixar o suprimento mínimo para 10 milhões de metros cúbicos por dia (MMm3/d).

As duas partes já haviam chegado a um acordo em março, estabelecendo o mínimo em 14MMm3/d e o máximo em 20MMm3/d. Naquele momento, a YPFB havia dito que sua meta era aumentar esse volume ao longo do tempo.

Desde então, a Petrobras nunca chegou ao nível mínimo de importações, e no início de junho solicitou a invocação de cláusula de força maior para baixar o volume. Ela importou 13.9MMm3/d em março, 10.7MMm3/d em abril e 11.6MMm3/d em maio, de acordo com a YPFB.

A estatal boliviana culpou a pandemia de Coronavirus pela decisão. “Em face da situação extraordinária que enfrentamos, nós aprovamos a ‘força maior’ solicitada pela Petrobras por causa do Covid-19,” disse a companhia em  nota.

Antes do acordo de março, o contrato de suprimento YPFB-Petrobras incluía um mínimo de 24MMm3/d e um máximo de 30MMm3/d.

Além da demanda por gás natural em queda no Brasil por conta da pandemia, o gás boliviano também sofre a pressão do gás natural liquefeito (GNL) importado. No Brasil, o LNG atingiu um preço médio de $3.63/MMBtu em março, comparado com a média de $7.94/MMBtu do gás importado da Bolívia, de acordo com o relatório mensal de gás natural do país.

Exportações para a Argentina

A Bolívia também exporta gás canalizado para a Argentina, e os volumes têm aumentado conforme o inverno chega ao cone sul.  

As exportações para a Argentina perfizeram uma média de 15.7MMm3/d em maio, um aumento com relação aos 10.5MMm3/d do mês anterior. No dia 10 de junho, a YPFB anunciou que as exportações para a Argentina no mês corrente seriam de 18MMm3/d. No ano passado, as exportações para a Argentina ficaram em uma média próxima a 20MMm3/d.

A demanda doméstica boliviana por gás em maio foi de 7.2MMm3/d.

A produção de gás alcançou uma média abaixo dos 40mn m3/d desde que a pandemia atingiu a Bolívia, em março. O mais alto índice de produção mensal total esse ano ocorreu em fevereiro, com 42MMm3/d. No mesmo mês do ano anterior, esse volume foi de 52MMm3/d.

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Fonte: © Argus Media group [2020]

Tradução: Karina Ninni

Imagem: Pixabay

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