Conheça os projetos e os perfis das carregadoras inscritas na chamada pública do Gasbol

(Agência E&P Brasil) A TBG divulgou semana passada a lista atualizada das 18 carregadoras de gás natural habilitadas para a primeira rodada de proposta garantida na chamada pública do Gasbol, que oferta até 18 milhões de m³/dia de capacidade de transporte de gás natural.

A lista das empresas não mudou. Por decisão da ANP, o prazo de inscrição foi reaberto e algumas exigências, alteradas para atrair novas carregadoras. A lista, contudo, é diversa e se destacada por trazer grupos e empresas com projetos integrados de gás natural, GNL e geração de energia elétrica.

Seis empresas são produtoras de gás natural e de petróleo, com a maioria atuando internacionalmente. São elas Brasoil, ExxonMobil, Petrobras, Repsol, Shell e YPFB Energia.

A Petrobras está construindo uma unidade de processamento no Comperj (Itaboraí, RJ) e a há uma expectativa por investimento em novas termoelétricas, associadas a produção do pré-sal. O gasoduto de escoamento Rota 3 vai entregar o gás da cessão onerosa no Comperj, conectado à malha da NTS, em Guapimirim (Gasduc III)

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A ExxonMobil e a Shell já desenvolvem projetos de geração de energia. A ExxonMobil está no Porto de Sergipe (GNL) e estudou uma conexão entre o terminal Gás Sul (SC) e o Gasbol; Shell faz parte da sociedade que constrói a UTE Marlim Azul (gás do pré-sal), em Macaé (RJ). Ambas estão no pré-sal: a Shell com ativos em produção (incluindo Mero) e a ExxonMobil, em fase de exploração.

A Brasoil é sócia da Petrobras e da Enauta no campo de Manati, na Bahia, além de ser controlada pela PetroRio, que produz petróleo na Bacia de Campos e tem se movimentado no mercado brasileiro para comprar campos já em produção.

A Repsol está no pré-sal, sozinha e por meio da joint venture Repsol Sinopec, mas também é sócia na TSB (Transportadora Sulbrasileira de Gás), única transportadora com participação da Petrobras que ficou de fora do acordo com o Cade para venda de ativos no segmento. Outras sócias são Ipiranga e Total Gas Power, as quatro com 25% da empresa. É por meio da TSB que pode sair uma conexão dos mercados de gás natural da Argentina, Bolívia e Brasil, com a interligação do ramal argentino, que atende à UTE Uruguaiana, e o Gasbol, no polo petroquímico de Triunfo, em Porto Alegre.

E a YPFB é a fornecedora exclusiva do gás boliviano que circula no Gasbol, por meio dos contratos, até o momento, exclusivos da Petrobras. A companhia atua para desenvolver aqui no Brasil a demanda para o gás produzido lá na Bolívia.

O que tem tudo a ver com a MSGás (Mato Grosso do Sul), uma das quatro distribuidoras habilitadas, ao lado da Gás Brasiliano (São Paulo), SCGás (Santa Catarina) e Comgás (São Paulo). A MSGás tem se aproximado das empresas e do governo boliviano.

Para as distribuidoras, a chamada pública representa abertura do mercado, já que atualmente são atendidas pela Petrobras, inclusive com casos de verticalização em São Paulo (a Gás Brasiliano é controlada pela petroleira), o que gera disputas no estado acerca de práticas anticoncorrenciais.

Na lista, há duas consumidoras: Gerdau (metalurgia) e Yara Brasil (fertilizantes). E seis comercializadoras: Air Liquid (gases especiais), CDGN Logística (gás comprimido e biogás, Comerc (comercializadora de energia), Comercializadora de Gás SA, Gas Bridge e Ponte Nova.

A Comercializadora de Gás e a Ponte Nova têm participações em comum no mesmo grupo, que está envolvido no desenvolvimento de um hub logístico e de gás do Porto Brasil Sul, também em Santa Catarina. Iniciativa da WorldPort.

A Gas Bridge quer trazer gás pelo Gasbol e transportar para regiões isoladas por navios (cabotagem) e terminais de regaseificação de pequeno ou médio portes. 

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A chamada pública

A chamada pública A TBG oferta 18 milhões de m³/de capacidade do Gasbol, relativos a um contrato com a Petrobras que vence este ano. Para o gasoduto não ficar parcialmente descontratado, os novos acordos precisam ser fechados até dezembro.

É a primeira concorrência do tipo no Brasil, para acesso a um gasoduto de transporte. Serão feitas até seis rodadas para envio das propostas, começando em 21 de outubro, com divulgação do resultado final até 14 de novembro. Pode ser antes.

E vem mais por aí: em 2021 e 2024 vencem contratos de 6 milhões de m³/dia, cada, entre a TBG e a Petrobras. Para 2030, vence o último contrato, de 5,2 milhões de m³/dia. A Petrobras, contudo, pode antecipar o acesso aos gasodutos de transporte.

Fonte: Agência E&P Brasil

2 comments on “Conheça os projetos e os perfis das carregadoras inscritas na chamada pública do Gasbol

  1. Com a lista formada por 2 consumidoras e 6 comercializadoras a expectativa de uma real abertura de mercado. Consumidor comprando o gás diretamente da fonte.

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