Coronavírus e crise do petróleo podem reduzir produção de etanol em 24%

(Agência e &P Brasil) A pandemia do novo coronavírus pode causar uma redução de 24% na produção de etanol no país na safra 2020/2021, que ficaria na casa dos de 25 bilhões de litros. A avaliação é do professor Haroldo José Torres da Silva, do Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege), instituto que operacionaliza os cursos de MBA da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP.

A estimativa é que a demanda por combustíveis automotivos tenha queda de 3,7% com o arrefecimento da economia brasileira, já que historicamente o consumo de combustíveis segue o crescimento econômico.

No acumulado da safra 2019/2020, as usinas da região Centro-Sul – principal polo produtivo do país – produziram 31,72 bilhões de litros de etanol, sendo 30,83 bilhões de litros de etanol de cana e 889,75 milhões de litros feitos a partir do milho.

Soma-se a isso a possibilidade de o mercado do etanol hidratado perder competitividade em relação à gasolina C, o que pode “implicar em destruição de margens com a produção e comercialização do etanol por algumas usinas”.

A estimativa do Pecege é que as crises do petróleo e do coronavírus “implicarão uma perda de receita de R$ 0,2252/litro de hidratado comparativamente a 2019”, fazendo com que o setor sucroenergético retorne aos níveis de preço do etanol praticados em 2017.

Fonte: Pecege

O estudo indica ainda que os créditos de descarbonização (CBios) podem funcionar como indutor de equilíbrio competitivo entre os combustíveis fósseis e renováveis se forem cotados com maiores valores em momentos de preços do petróleo baixo, de forma a garantir a competitividade dos biocombustíveis e estimular a sua produção.

“O valor do CBIO seria o necessário para igualar o custo de produção do biocombustível, sendo o seu valor determinado, dentre outras variáveis, pelo preço do petróleo, pois ele altera a dinâmica de oferta e competitividade no mercado de combustíveis”, desta o professor.

Baixe aqui a íntegra do estudo (.pdf)

“Na atual conjuntura, o preço do etanol na porta da usina cairá a patamares abaixo da linha de custo. A queda na receita impactará em cheio o capital de giro das empresas e consequentemente impactando a capacidade delas em horarem compromisso no curto prazo”, avalia Erickson Oliveira, analista de Mercado da Céleres.

A perda de receita, com a desaceleração econômica, é agravada pela guerra de preços do petróleo, que derruba as cotações da commodity – a Petrobras já cortou em 30% o preço da gasolina este ano, o que retira a competitividade do etanol hidratado, que concorre nas bombas.

“É certo que a crise econômica durará mais tempo maior do que a sanitária. Para o setor sucroalcooleiro os possíveis reflexos, em um primeiro momento, são a elevação do endividamento setorial, a interrupção nos investimentos e consequente queda de produtividade. No médio prazo, serão a saída de players e intensificação de movimentos de fusão e aquisição”, avalia Oliveira.

O setor sucroalcooleiro prepara uma pauta de socorro às usinas para apresentar ao governo federal, que inclui o adiamento da cobrança de impostos e a criação de uma linha de crédito do BNDES atrelada aos CBIO, segundo informações do Valor, publicadas nesta segunda (23).

Segundo apurou o jornal, a proposta será apresenta ao comitê de crise, mas ainda não está pronta. É cogitado o pedido de adiamento da cobrança de PIS/Cofins por 120 dias, a serem pagos posteriormente, ainda neste ano fiscal. O BNDES teria o papel de sustentar investimentos nos canaviais.

Participam das conversas a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), a União Nacional do Etanol de Milho (Unem) e entidades estaduais, em interlocução com Ministério de Minas e Energia (MME) e o BNDES.

Segundo o Valor, há quem defenda, inclusive, o aumento da Cide sobre a gasolina em R$ 0,10, medida que poderia ser implementada pelo governo, já que faz parte da natureza da Cide servir de regulador do mercado. Mas essa possibilidade, até o momento, vem sendo rechaçada pelo presidente Bolsonaro.

O Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise Br) atua na mesma linha. Encaminhou a prefeituras de cidades com associados – representa usineiros, mas também empresas de serviços e da indústria de base, em sua maioria em SP – pedidos de postergação do ISS por 90 dias e adiamento da execução de dívida ativa.

Com o governo de São Paulo, pleiteiam a postergação ou diferimento de ICMS e a criação de linhas de financiamento para capital de giro e compra de insumos.

Fonte: Agência E & P Brasil

Imagem: Pixabay

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