IEE e RCGI marcam presença na sétima edição do ELAEE, em Buenos Aires

Um grupo de alunos do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP), alguns deles pesquisadores ligados ao Fapesp Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI), esteve no 7º Congresso Latino Americano de Economia da Energia, entre 10 e 12 de março, em Buenos Aires, na Argentina. Juntos, pesquisadores do IEE e do RCGI enviaram mais de 20 trabalhos para o evento. Também participaram do encontro os professores Virgínia Parente e Edmilson Moutinho dos Santos, ambos do IEE e também integrantes do RCGI. Eles moderaram sessões sobre o tema Oil and Gas Market.

Com foco na transição energética, a conferência teve como tema “Decarbonization, Efficiency and Affordability: New Energy Markets in Latin America” e contou com sessões apresentadas oralmente e pôsteres, com mais de 150 trabalhos de participantes de diversas partes das américas. Em sua apresentação, na sessão sobre Power Market Design with Conventional and Renewable Energy Coexistence, a professora Virgínia Parente falou sobre o caso brasileiro e elencou alguns prós e contras da diversificação de nossa matriz elétrica.

“A participação da hidroeletricidade na matriz elétrica brasileira caiu de 92%, em 1995, para 62% em 2015. Enquanto isso, o bagaço de cana e a energia eólica aumentaram significativamente sua participação.  A introdução de novas renováveis na geração elétrica trouxe oportunidades e preocupações. O lado bom é que não dependemos mais tanto da hidroeletricidade, temos uma diversificação no portfólio, etc. Já as preocupações incluem a necessidade de lidar com a intermitência e o financiamento dos custos fixos da infraestrutura no caso de parte dos consumidores se tornarem prosumers”, alertou. “Sabemos que a longo prazo não teremos mais fósseis; isso tem de ser previsto e precificado. É um desafio que deve ser enfrentado com políticas públicas.”

Reinhard Haas, do Energy Economic Group da Technological University of Vienna, analisou o comportamento dos preços da energia elétrica na Europa nos últimos anos em três circunstâncias: antes e depois da política de liberalização do setor; e em um terceiro momento, que ele chamou de pós-liberalização (ou new thinking).

“A capacidade regulatória de pagamento, que não é desencadeada por um mercado, sinaliza equivocadamente os preços para todas as opções de fontes energéticas. Os picos de preços em tempos de escassez de recursos deveriam levar à competição, mas quanto mais alta é essa capacidade, menor é a participação de certas renováveis.” De acordo com ele, há riscos de um desenho pobre de mercado. “No fim do dia, alguém paga por isso.”

Reinhard lançou, ainda, um questionamento: “Será que já passou o momento de subsidiar as renováveis?” De acordo com ele, a resposta está relacionada ao preço do carbono, e a quanto ele pode se tornar atrativo nos próximos anos.

Oportunidades – Para Lilian da Silva, doutoranda que já participou de mais de uma edição do ELAEE e que estuda a questão da integração energética, o encontro é abrangente e atual, envolvendo as várias temáticas da energia. “Vejo que essa edição foi, especialmente, marcada pelas discussões sobre a transição energética. Além disso, o encontro ultrapassou as fronteiras da América Latina, havia participantes de todo o mundo. Isso propiciou novas percepções sobre a realidade dos países fora do nosso continente.”

Vitor Emmanuel Siqueira Santos, que esteve nos encontros ocorridos em Medelín (2015) e Rio de Janeiro (2017), atenta para as diferenças entre os temas tratados em cada um deles. “Em 2015, o mundo da energia discutia a manipulação do preço do barril de petróleo pela OPEP no ano anterior, e as possíveis consequências de médio e longo prazo para a penetração de fontes renováveis na matriz elétrica, por exemplo. Em 2017, Trump e a agenda americana foram pontos fortes.”

Segundo ele, esses encontros proporcionam oportunidades de trocas entre pesquisadores de diversas áreas relacionadas à energia. “Essa diversidade permite ao pesquisador compreender o contexto do setor energético nos países latino americanos, assim como as tendências e as ferramentas desenvolvidas para sua evolução.”  

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