IEE sedia lançamento da Rede Global de Mulheres para a Transição Energética

Nos dias 17 e 18 de junho o Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP) recebe o Diálogo em Energia Renovável e Transformação Energética (Dialogue on Renewable Energy and the Energy Transformation). O evento marca o lançamento, na América Latina, da Rede Global de Mulheres para a Transição Energética (GWNET, na sigla em inglês), que acontece durante a manhã do dia 18, e também do Relatório do Status Global das Renováveis 2019, da Renewable Energy Police Network for the 21st Century (REN21). Clique aqui para acessar a programação, o endereço e o link para a inscrição.  

Duas mesas redondas compostas por mulheres marcam o pontapé inicial da GWNET na América Latina, tendo como chair a Embaixadora da Áustria no Brasil e no Suriname, Irene Giner-Reichl. Elas discutirão temas como: o papel dos governos na inclusão de mulheres de forma mais igualitária na tarefa de promoção da transição para energia sustentável; o que as empresas e as associações industriais podem fazer para quebrar os estereótipos de gênero no setor de energia; qual deveria ser o papel das universidades na promoção da participação igualitária de homens e mulheres no setor da energia, entre outros. A diretora executiva da GWNET, Christine Lins, participará por videoconferência.

“O lançamento da Rede permitirá que mulheres que ocupam postos relevantes na área de energias renováveis possas colaborar para acelerar a transição energética mundial. Certamente as mulheres podem dar uma contribuição importante para a evolução para uma matriz energética mundial mais sustentável em termos ambientais e sociais”, crê a professora Suani Teixeira Coelho, titular do IEE/USP, integrante do Fapesp Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI), coordenadora do Grupo de Pesquisa em Bioenergia (GBio) e uma das organizadoras do evento.

“É fundamental incluir o tema de igualdade de gênero no debate de políticas públicas, inclusive na empregabilidade no setor de energia. No IEE, temos apoiado a inserção de alunas, sempre almejando a igualdade de oportunidades. Em outro momento, já participei de um projeto apoiado pela Embaixada Britânica sobre esse tema”, lembra Hirdan Katarina de Medeiros Costa, professora do IEE/USP e integrante do RCGI, coordenadora do RCGILex.

No primeiro round de debates estarão Ana Paula Fava, do Gabinete Civil do Governo do Estado de São Paulo; Andra Heins, ex-subsecretária de Economia de Energia e Eficiência Energética na Argentina; Laura Valente, do Conselho Consultivo do Governos Locais pela Sustentabilidade (ICLEI); Sandra Caballero, da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ); Alejandra Campos, da Rede Mulheres em Energia Renovável e Eficiência Energética (REDMEREEE); Patricia Iglecias, da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB); Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEEolica); Marcela Ganem Plores, da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natura e Biocombustíveis (ANP); Camila Cela, da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR); e Monalisa Gomes, da empresa Fronius.

Do segundo participam Suani Teixeira Coelho e Virginia Parente, professoras do IEE/USP e integrantes do RCGI; Suzana Kahn Ribeiro, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Telma Teixeira Franco, professora da UNICAMP; Clarissa Brandão, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF); Hirdan Katarina de Medeiros Costa, professora do IEE/USP e integrante do RCGI;  Karen Mascarenhas, diretora de liderança do RCGI; Camila Brandão, representante da Shell no Comitê Executivo do RCGI; Drielli Peyerl, jovem pesquisadora do IEE/USP e integrante do RCGI; e Maria Cristina Fedrizzi, do laboratório de bombeamento fotovoltaico do IEE/USP.

Longo caminho – Um relatório do McKinsey Global Institute publicado em 2015 revelou  que US$ 12 trilhões poderiam ser adicionados ao PIB global até 2025 com a promoção da igualdade das mulheres. O que significa que os setores público, privado e social precisarão agir para fechar as lacunas de gênero no mundo do trabalho e na sociedade.

De acordo com a Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), as mulheres ocupam cerca de 32% dos empregos no setor. O percentual é maior que no setor de energia em geral, de 22%, e do que na área de petróleo e gás, também com 22% de participação feminina. 

No Brasil, entretanto, ainda há um longo caminho pela frente. Segundo o “Guia de Mulheres na Liderança”, da FGV (2018), no setor de energia há apenas 11% de mulheres em cargos de comando.

Renováveis – O Diálogo em Energia Renovável e Transformação Energética marca, ainda, a primeira vez em que o Relatório do Status Global das Renováveis (Renewables Global Status Report), da Renewable Energy Police Network for the 21st Century (REN21), é lançado no Brasil concomitantemente com o resto do mundo.

“Isso é uma prova da importância do nosso país no setor de renováveis, pela nossa matriz energética altamente renovável e pelos nossos programas de incentivo às renováveis”, opina a professora Suani.

De acordo com o Balanço Energético Nacional 2018 (ano base 2017), 43% da oferta de energia no Brasil é composta por renováveis, sendo que a biomassa da cana-de-açúcar representa 17%, a hidráulica 12%, lenha e carvão vegetal respondem por 8%, e outras renováveis por 5,9%.  No mundo, o percentual de renováveis na matriz energética é de aproximadamente 14%.

Imagem: Pixabay

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